CHEGADA DE SABORÉ...
SABORÉ
Pense num sujeito atôa,
vindo lá das Alagoas
que gosta de confusão
veio morar nessa cidade
tentou fazer amizade
mas só ganhou rejeição...
saboré era tão feio
parecia satanás
O cabra andava pra frente
com os pés virado pra trás
Dêle ninguém se aproxima
todo mundo tinha medo
o sujeito faltava um dedo
em cada mão, e cada pé.
todos que se aproximavam...
ou corria, ou ele matava
e interrava no chão.
o cabra era tão valente
que rosnava pelos dentes
seu café era aguardente
misturada com sabão
Ele era bem baixinho
um e trinta de altura
uma faca na cintura
montado em seu alazão
impregava a lei do medo
so tendo parte com o cão.
Se apoçou da cidade
Denominou-se prefeito,
fiscal e veriador
e destituiu doutor e ocupou seu lugar,
sentado em sua cadeira
começou a dispachar.
Julgava quem quer que fosse
impunidade acabou-se
eu prendo e mando soltar!
CHEGADA DE VALDEMAR...
Eh! mas a valentia de Saboré abalou-se
quando ele encontrou-se
com o tal de Valdemar!
VALDEMAR:
Valdemar era um sujeito
que não temia a ninguém.
Ja enfrentou mais de trinta...
quem viu isso admirou-se.
Quem enfrentou-o acabou-se,
hoje mora no além!
Ele era um vagabundo
que so vivia no mundo
somente fazendo mau.
Nunca teve moradia
sequer conheceu famia
o mundo era seu lugar.
Ele era tão violento,
dava pancada no vento,
e com o passar do tempo
começou a descascar.
Chegando nesse lugar
Valdemar logo instalou-se
o que tava ruim acabou-se,
começou a piorar...
Foi na venda de Maria
e bebeu uma aguardente,
a bicha desceu tão quente
que o cabra arrepiou-se,
hora depois acordou-se
sem saber a onde está!
DIAS DEPOIS.
Só mais dias,
menos dias,
para os dois se encontrar.
E o que quer que aconteça,
o mundo vai se acabar!
-Tomo banho de água fria
so para me refrescar!
assim dizia o tinhoso,
o sedento Valdemar.
COMEÇOU A FESTANÇA!
O mês de São João chegou:
Trazendo muita alegria.
Mas aqui ninguém sabia,
se podia festejar...
Porque a qualquer momento
o encontro se daria:
Saboré com Valdemar!
A festança começou:
Éra uma alegria só.
Rapases beijando môça.
Aqui ninguém fica só.
Era quáse madrugada,
quando o mundo estremeçeu.
Foi um barulho danado ,
quase ninguém entendeu...
o candieiro apagou-se
quem era froxo cagou-se
com o berro que o bicho dêu!
Vêja a continuação dessa história:
NO ENCONTRO DE SABORÉ COM VALDEMAR.
PART. II.
GILDO NASCIMENTO.