Ei menino, vem logo!
Ei menino, por que você demorou?
Ei menino, você não trouxe o açucar...?
Ei menino, vem pra cá...
Ei menino, cadê as coisas que mandei você comprar?
Ei menino, não corra, se não vai ser pior...
Lendo isso desse jeito, até parece que minha vida era so desobedecer! Mas não era. Eu também tinha meu lado obediente,
prestativo, atencioso, caseiro, trabalhador, e por muitas vezes distraído.
Principalmente, quande em se tratava de uma bola. Talvez por ser a única distração que eu tinha. Ou melhor; não tinha.
Precisava fugir para ter...
E era exatamente aí, que começava tudo...
minha mãe não aturava de jeito nenhum, falha alguma por pequena que fosse! E eu sabia bem disso! Mas talvez por falta de opção, eu tivesse que aproveitar, toda e qualquer chance para também me sentir criança, o que eu era! Mas não me era permitido sobre hipótese nenhuma (apesar dos meus sete, oito anos), descuidar-me dos meus compromissos.
Levantar cedo, cuidar dos outros irmãos, cuidar da casa, fazer o almoço, para que,quando mamãe chegasse para almoçar o almoço tivesse pronto.se não era motivo para uma surra!
Se algum dos meus irmãos se machucassem, o responsavel era eu.
Se algum ficasse doente, eu, o teria que leva-lo ao médico.
E emfim: Toda responsábilidade pele casa e por todos simplismente era minha. E ài de mim, se algo saisse errado!
Mas eu era muito danado, e quase sempre, tudo saia perfeito.
Até, qoe eu então com oito anos levei meus irmãos menores para tomarem banho no poço. foi aí que naquele dia eu acreditei que minha vida havia mesmo chegado ao fim!
Saíram todos correndo na minha frente, por aquele trilhe estreito, rodeado de mato. Todos alí correndo em minha frente,tomaram uma certa distância de mim, e acabaram chegando ao banheiro primeiro...
(O banheiro para quem não sabe, era um poço rodeado com palhas de coqueiro fechando a sua volta, formando uma parede, lugar onde muita gente do lugar ia se banhar, quase sempre no final da tarde).
Meus irmãos, ao se aproximarem do poço, ou banheiro, como queiram, adentraram correndo. Só que em volta da boca do poço é um barro preto, e estar sempre molhado, e é muito escorregadío.
Eu, vindo logo atrás, despreoculpado, como se tivesse levando meu rebanho.
Mas de repente: Eis que todos os meus irmãos saem daquela palhoça correndo em minha direção, gritando... gritando...
E eu alí, ainda um pouco distante do poço, o que é que eu pensei: Deve ser uma cobra que eles viram e estão assustado por isso!
Mas, me dei conta que faltava justamente o meu irmão menor. E por um segundo, cai a minha fixa, meu irmão...! E corri para lá...
Entrando naquela palhoça, meu irmão não estava lá.olhei para dentro do poço e vi a água balançando,era meu irmão pequeno, de quase dois anos, completamente afundado na quele poço cheio d'água.
Me pus a pensar... Meu Deus! E agora o que é que eu faço!
Emquanto isso, meu irmão foi eté o fundo do poço e subiu novamente se debatendo!
E eu, vendo aquilo tudo, desesperado, sem saber o que fazer! enquanto meu irmão se debatia e afundava novamente, pela segunda vez!
Meu medo era tanto diante daquela situação, que eu só conseguia tremer e pensar... Meu Deus, o que fazer! eu nunca havia passado por algo assim! Se eu deixar meu irmão morrer, o que vai ser de mim! como vou enfrentar a minha mãe! se eu chegar em casa sem ele, sei que ela vai me matar!
Esses momentos tão confusos, pareceram uma eternidade! È aí que meu irmão afunda pela segunda vez, e se perde na água funda e barrenta.
Meu irmão ja fraco! E eu diante de tanta confusão na minha cabeça, pensei: Tenho que escolher agora, a hora que pretendo morrer! Se eu pular agora, nessa água suja e funda, também sei que vou morrer!
Sou tão pequeno ainda, que nem sei nadar! Mas como deixar meu irmão, se acabar assim, morrer, sem se quer tentar...! E mais uma vez pensei: Se eu chegar em casa sem ele, minha mãe vai me matar, a responsabilidade é toda minha!
Nisso: Meu irmão,ja debilitado, emerge pela segunda vez. E eu alí, envolvido em meus pensamentos, e delírios, onde tudo me parece tão confuso! Não tenho mais tempo... Meu irmão começa a afundar! Afundar; pela última vez!
O que fazer, vendo meu irmão, não mais se debater, sem mais nenhuma condição de lutar pela vida! Alí, estava entregue...!
Resteva a mim...
Não mais vejo meu irmão, a se perder, nessa água imunda!
Por um momento pensei:
Viver ou morrer!
Viver pra que, se serei morto também...
E por um instante, tomado por um espírito encorajador, eu mergulhei... E precisei ir até o fundo do poço, onde encontrei meu irmão, e o trouxe a tona!
Meus outros irmãos em nossa volta, todos alí, era um grito só.
gritos de absoluto desespero!
E como se não tivesse acreditando no que estavam por vê; todos, não paravam de gritar.
Inclusive eu!
Leveio-os para casa sãos e salvos!
tUDO NÃO LEVOU MAIS DE UM MINUTO E MEIO,
MAS PARA MIM, DUROU MAIS QUE UMA ETERNIDADE!
Meu irmão hoje é casado, e nunca tocou no assunto.
Não sei se por causa da idade que ele tinha, e não se lembra,
ou algum tipo de trauma...
Sei que não posso vê-lo todos os dias, mas so de saber que ele estar por aí e bem,
estou satisfeito!!!
GILDO NASCIMENTO.

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