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domingo, 22 de abril de 2012

FIO DE NAVALHA


No corte de cana, fui Rei

Empunhado, de minhas necessidades
Do fio amolado de minha foice
Sangue meu ... Derramado...
Cicatrizes de cortes, que trago...
Em meu corpo...
São marcas que ficaram em minhas mãos!
De nada mais tenho medo!
De longe; o tinido...
Era o gemido da foice,
A cada pedaço de cana cortado!.
Minha foice, tinha fio de navalha!
Cortava como vento no sertão!
Quanta fome: De mim tu mataste,
Assim, como a de meus irmãos!
Oh! Foice querida!
Mesmo que de mim: Quase me tiraste a vida!
Embora... De menino que eu era,
Nada mais sou!
Ainda assim: De ti, sempre senti saudade!
Minha companheira e amiga, de todas as tardes!
Quando pra casa eu te levava,
com toda inocência e cuidado,
De uma criança, que eu era!
Hoje, sem ti: só tuas lembranças me restaram!
E em mim: Apenas cicatrizes...
De  minhas lembranças!
E uma saudade!!!

Gildo Nascimento.

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