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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

NO PÉ DO TRONCO.

                 Menino forte

Menino forte, mas muitas vezes chorava, no pé do tronco, onde sue pai apanhava!

O menino que era forte, nesse dia ele chorou! Livrou seu patrão da morte, mas de nada adiantou...


Menino forte, nascido no seio da escravatura e apesar da pouca idade, ja tinha consciência do futuro que lhe aguardava.  Ainda muito  pequeno, ele sempre acompanhava seu pai nos trabalhos do engenho. Aos poucos ele ia ajudando cada vez mais, ao mesmo tempo que percebia o quanto a vida lhes era dura!

Contudo, ele sempre foi um garoto diferente! E as veses chegava a pensar que nasceu fora de tempo. Escravo, nascido alí... Mas sua cabeça estave em outro lugar! Bondoso, amoroso e muito inteligente! Inteligente o suficiente para saber que já mais conseguiria mudar seu destino! E a pesar de ter essa certeza, ele nunca se conformou com a vida que lhe foi oferecida!

Seu pai por sua vez, negro forte, bem disposto e muito trabalhador; quando jovem era sempre o mais explorado "entre os negros, pelo patrão", estava sempre em linha de frente e o seu filho crescendo vendo essa situação... Toda a exploração sofrida pelo pai e toda sua família, sem nada poder fazer... A não ser, acompanhá-lo no dia-a-dia em suas tarefas. Tarefas essas que na maioria das vezes o levava a exaustão, trabalhando o dia inteiro, sem comer e quase sempre sem água pra beber! E por diversas vezes, viu seu pai desmaiar de fome, sem ter água pra beber! E ele só sofria sem ter o que fazer. O máximo que conseguia fazer, era tentar ajudar o pai, puxar aquelas correntes pesadas que o mantinha preso, aos seus pés, para que ele não fugisse...


E o tempo foi passando e o menino percebendo que nada daquílo mudaria. Já era quase um rapaz, ocupando um lugar de destaque, que outrora fora do pai. Ele que sempre só acompanhou seu pai em sua trajetória, hoje têm seu próprio compromisso! Mesmo assim: Ainda bem que conseguiria permanacer ao lado do pai que tanto amava!

Uma vez o Senhor do Engenho recebeu uma proposta de compra... Os compradores queriam comprar os dois negros mais importantes daquele lugar; pai e filho. "Até então o pai ainda era forte"!  E o Senhor ficou bastante interessado no assunto. Até que resolveram marcar uma espécie de leilão. 

O Senhor, dono do engenho, pegou aqueles dois negros, pai e filho e com os dois acorrentados saiu pra negociar. Caminharam o dia inteiro sem parar pra descansar. Foi quando ao cair da tarde entraram em uma mata que tinham que atravessar. O Senhor apeou de seu cavalo, amarrou os dois negros e deitou-se. Rápidamente coxilou! Nesse momento que o negro "Juvencio", o pai, sussurrou baixinho! 

 -Não se mexa! Falou ele ao seu patrão. Uma cobra venenosa, prestes a lhe picar! Quando ela deu o bote o negro meteu-lhe a mão,  pegou a cobra pelo meio e bateu com ela no chão! O Senhor logo assustado, pensou que fosse um ataque -Vocês querem me matar, se eu não acordo, eu não via... Os dois negros estavam "brancos" de tanto medo tremia.

Não diziam uma palavra. Sem poder se levantar os negros alí caídos, naquela situação... A bicha estribuchando ficou estirada no chão! O Senhor não viu a cobra, só pensou em traição! Pegou o negro de pau,  e bateu com ele no chão! furou ele de espora e lhe bateu de facão! Bateu tanto no coitado, arrastou-o e foi embora.

Voltou pra casa nervoso com o negócio que perdeu! 

-O desgraçado me paga, quem me conhece sou eu! Resmungou o patrão com ar de extremo nervosismo.

O menino que era forte nesse dia ele chorou, livrou seu patrão da morte, mas de nada adiantou!


Depois disso, seu pai, nunca mais foi o mesmo, tornou-se um velho doente, e seu filho ocupou seu lugar...

Devido a surra que levou naquele dia acabou perdendo uma vista e da outra pouco via! Impocibilitado de trabalhar, agora além de velho, estava doente!



Menini forte, mas muitas veses chorava; no pé do tronco, onde seu pai apanhava!


Seu pai agora está muito velho e doente! E seu patrão não tem dó...

O negro foi levado para ajudar no serviço da casa grande, mas não tinha condição... Fazia o maior esforço para agradar o patrão. Mas de nada adiantava, ele era um homem sem coração! 


Menino forte, mas muitas veses chorava, no pé do tronco onde seu pai apanhava!


E o menino que era forte, nesse dia ele chorou, livrou seu patrão da morte, mas de nada adiantou!

Quando seu pai ficou velho, não podendo trabalhar, seo patrão o botou no tronco, e bateu até matar!



Menino forte, mas muitas veses chorava, no pé do tronco, onde seu pai apanhava!


                      
                     Gildo Nascimento.



















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